Fotos Históricas da doutrina do Santo Daime
Estas fotos, na sua maioria, pertencem a memória e a história da doutrina, sendo muito difícil de saber quando e por quem foram tiradas. Agadeçemos qualquer contribuição em fotos ou informação que possam a vir contribuir com esta coleção.
 

 
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Vila Ivonete, no início dos anos 40Vila Ivonete, na década de 40, apresentando vários seguidores da "primeira safra", incluindo três dos "Companheiros". Desta maneira hoje são chamados os quatro seguidores (Germano Guilherme; Antônio Gomes; João Pereira and Maria Damião) que, junto com o Mestre, compunham a base doutrinária da doutrina do Santo Daime (os hinários oficiais). Foto tirada da foto do original (com subtítulos), pela "Arca da União" ((Foto disponível no Memorial Irineu Serra, no Alto Santo). Layout e comentários (entre colchetes): Rodrigo Conti Tavares. Nota: de acordo com informações atuais não existe nenhum registro, até hoje, de nenhuma foto apresentando Maria Marques Vieira, a Maria Damião, a última dos quatro Companheiros. (Novas informações na legenda da foto acima, marcado na cor verde)
 

João PedroFoto de João Pedro, disponibilizada para Jaime Wanner por Aloísio Martins.
João Pedro era amigo do mestre Irineu, era um Senhor da raça negra, como nosso irmão Germano Guilherme, uma pessoa muito doente e, seu hinário é o próprio processo de cura do irmão. Dizem também que nos finais dos trabalhos, quando todos estavam fora de forma e o batalhão já dispensado, ele ficava na mesa cantando os seus hinos, pois não tinha muita oportunidade de fazer um trabalho com o seu hinário, entitulado "Menino Jesus", uma das pérolas do Santo Daime e normalmente usado para trabalhos de cura.

 
Casamento de Daniel Acelino SerraUma foto do casamento de Daniel Acelino Serra, (sobrinho do Mestre Irineu), com subtítulos, explicando a ocasião, de acordo com o seu próprio depoimento sobre o acontecido (texto e foto gentilmente enviados por Mivan Gedeon).
 
Francisco Fernando Filho "Tetéo"

Nascido em 13 de dezembro de 1917 em São Luis do Ceará, Francisco Fernando Filho, mais conhecido como "Tetéu", filho de Francisco Fernando Lima e Idalina Fernando dos Santos, veio para o Acre bem novo com os pais e com a então esposa Chicuta. Os pais o deixaram aqui e voltaram para o Ceará. Com a primeira esposa, Tetéu teve seis filhos (Francisco, já falecido; Zeca; Quinca; Francisquinha; Maria; e Maria da Paz). Quando questionado o motivo de sua vinda ao estado do Acre, Tetéu retinha-se a responder que foi trazido por uma força superior, o que o Mestre Irineu confirmava em seus ensinamentos dizendo que o Daime aproxima quem tem missão dentro da doutrina.

Francisco Fernando chegou a morar na casa de Mestre Irineu por mais ou menos três anos. Mas, em grande parte de sua vida, suas únicas companhias materiais durante os dias da semana eram suas grandes amigas Maria e Chica Preta. Enchia a boca para responder, a quem perguntasse se ele estava sozinho, que ele morava com a Maria (uma gata) e com a Chica Preta (uma cadela). (Texto editado de Thiago Martins e Silva Hoff - Arca da União).

 
Cortejo do Mestre

Foto retratando momento solene, reunindo toda a irmandade, durante o funeral de Raimundo Irineu Serra, no ano de 1971, no Alto Santo. Essa formação no enterro do Mestre foi feita pelo seu Daniel, que segundo ele, foi chamado pelo Mestre um dia antes dele falecer e disse: “Aconteça o que acontecer, não esmoreça” (palavras do Seu Daniel Serra). No relato de seu Daniel, essas palavras vieram neste momento e ele colocou o pessoal nesta formação (foto e texto gentilmente enviados por Mivan Gedeon, com as bençãos de Daniel Serra).

Segundo parte do depoimento de Jairo da Silva Carioca " Durante o restante do dia e toda a noite de 06 para 07 de julho, foram cantados os hinários base da Doutrina por ele difundida. A emoção e o sentimento de dor e tristeza era visíveis, principalmente na execução dos hinos do hinário O Cruzeiro. O semblante de cada seguidor parecia flutuar em um fato que jamais eles esperavam que fosse acontecer naquele momento. Ao amanhecer, após longas horas de palestras e discursos de autoridades e oradores do centro, acompanhados pela Banda da Polícia Militar, em toque fúnebre, perfilados em fileiras masculinas e femininas, o Batalhão cantando os hinos novos, seguia para a morada final escolhida pelo Mestre, bem ao lado da residência de Leôncio Gomes da Silva, onde seu caixão baixou no túmulo envolto à bandeira nacional. A irmandade dava adeus ao Mestre, comovida, os 81 anos de história marcavam aquele momento inesquecível. Os mistérios e encantos de uma vida dedicada à bondade e ao companheirismo; abria-se um novo capítulo na história daquele povo. O Mestre agora descansa deitado eternamente em berço esplendido, ao som do mar e à luz do céu profundo".

 
Funeral do MestreFoto do velório do Mestre, tirada por Américo de Mello, onde a irmandade se despede de seu guia e patriarca. O primeiro a esquerda é Raimundo Nonato (filho do Padrinho Wilson Carneiro) junto ao caixão, e a Madrinha Peregrina junto à mãe Zulmira Gomes (mais baixa) ao fundo (foto gentilmente oferecida por Eduardo Bayer, com as bençãos de Daniel Serra).
 
Caixão do Mestre, envolto pela bandeira nacional

A irmandade se preparando para a última viagem do Mestre na terra, envolto pela bandeira nacional. O primeiro a esquerda é Daniel Serra, seu sobrinho, que o acompanhou de volta ao Acre em 1957 (foto gentilmente enviada por Mivan Gedeon, com as bençãos de Daniel Serra).

 
Serviço de Hinário na sede do MestreRara foto retratando um serviço de hinário na sede do Alto Santo, presumivelmente na década de 60, onde se vê o Mestre Irineu sentado a mesa junto com os músicos da doutrina. Ao centro, a Cruz de Caravaca, primeiro símbolo da Doutrina e ao fundo, na parede, a primeira bandeira do CICLU, recebida da Virgem pelo Mestre. Sobre seu significado Francisco Grangeiro perguntou a Irineu Serra: “Mestre, o que significa a águia em cima da lua?” O que o Mestre respondeu: “Chico, tira o acento agúdo da águia e veja o que dá!” (foto gentilmente enviada por Mivan Gedeon, com as bençãos de Daniel Serra. Depoimento de Francisco Grangeiro retirado do livro Contos da Lua Branca, de Florestan Neto).
 
Mestre Irineu e Fontenele de Castro

Foto retratando dois grandes amigos: Raimundo Irineu Serra e Guiomar Santos. Fontenele de Castro foi o responsável por apresentar, ao então governador do Acre, Guiomar dos Santos, o líder espiritual da comunidade que mais tarde seria conhecida como Alto Santo. “Desde então estabeleceu-se uma parceria, uma amizade entre eles que duraria para o resto da vida, entre o Mestre Raimundo Irineu Serra e o Guiomar dos Santos, que foi governador, depois deputado federal e autor do projeto que criou o estado do Acre, passando o Acre a condição de estado, e depois sendo Senador da República. Sempre que Guiomar vinha ao Acre, já morando em Brasília, se hospedava na casa do Mestre Irineu, passando por lá dias e noites, e conversavam, sendo grandes amigos, fazendo muitas coisas juntos”, comenta Antônio Alvez, jornalista acreano (foto gentilmente enviada por Mivan Gedeon, com as bençãos de Daniel Serra).

 
Sebastião Mota e a irmandade cantando hinárioFoto tirada por Marco Imperial, retratando a comunidade do Padrinho Sebastião reunida no Mapiá. "Era nos idos de 1982, e era sempre de costume o povo toda hora sentado, tocando violão. Acordavam cedinho, as 4:30 da manhã e logo estavam no roçado, mas quando dava cinco horas da tarde, todo mundo largava tudo e iam se arrumar pra se reunirem tocando e cantando hinário. A vida comunitária era uma constante, e o Padrinho vivia ali no meio de todos e todos ao seu redor. As orações diárias e os estudos de hinários era sempre a festa do dia, onde não se tomava Daime e a comunidade toda ficava ali ao redor. Padrinho na verdade era uma pessoa que vivia em comunidade, a casa dele era a comunidade. O grande feito do Padrinho foi que ele conseguiu transformar em realidade a comunidade, onde todos ali trabalhavam para todos. Uma família, uma só voz. Era época de Natal" (texto editado e foto gentilmente cedidos por Marco Imperial).
 

Irmandade na Cinco MilFoto tirada por Marco Imperial na Colônia 5 Mil, que nos conta: "Eu ganhei de presente do Sr. Adolfo Bloch uma matéria, e que eu escolhesse onde eu quisessse pra Manchete, e eu fui até o grande Janir (diretor da Manchete) e disse que eu queria era fazer a reportagem “Natal no Santo Daime”, e ai fui fazer o Natal lá. Chamei todos pra tirarmos uma foto na frente da igreja. O Juvenil de Souza, um fortógrafo da pesada e super meu amigo, me pediu uma idéia pra fazer uma reportagem, e eu desenhei a primeira reportagem do Santo Daime publicada com grande estilo. Montei toda a reportagem e apresentei a ele, ele ficou vidrado e a diretoria da Manchete aprovou e fez uma reportagem de várias fotos, e deu um destaque maravilhoso pra toda a história. E naquela época eu disse a ele pra pedir ao Padrinho pra colocar todos do lado de fora da igreja por causa da luz, e que ficaria lindo o povo na frente da igreja. Quando eu mesmo fui fazer, eu fiz de outra forma só o povo ali de frente" (texto editado e foto gentilmente cedidos por Marco Imperial).

 

Estátua do Mestre, Vila Irineu Serra / ACEstátua do Mestre Raimundo Irineu Serra. Ao fundo, sua última residência em vida e o atual “Memorial Irineu Serra”, onde se encontra vasto material referente a sua história e a doutrina que nos deixou - Rio Branco-Acre, Vila Irineu Serra, 14 de julho de 2007, durante a comemoração dos 70 anos da Madrinha Peregrina Gomes Serra (Foto de Juarez Duarte Bomfim).

 

Vó Cota, irmã do Mestre IrineuIrmã do Mestre, dona Maria Matos, mãe do seu Daniel Serra. Na foto ela está ao lado de dona Otília, esposa do seu Daniel e sua filha Maria. Dona Maria Matos, carinhosamente "Vó Cota", de "mariacotinha" (diminutivo muito usado no interior do Maranhão), chegou a tomar daime, inclusive, morar em Rio Branco, após a passagem do Mestre. Teve a graça de receber dois hinos, um deles muito cantado no Centro de Luiz Mendes. É curtinho, mas bastante significativo... "Meu Barquinho azul/ Todo embandeirado/ Com poder divino/ Eu já estou curada (o)”. O outro, poucas pessoas lembram (foto retirada do álbum de família do seu Daniel Serra, gentilmente enviada e comentada por Mivan Gedeon). Juarez Duarte Bomfim nos conta: "A Vó Cota, irmã do Mestre Raimundo Irineu Serra, foi levada pelo seu filho Daniel Serra para conhecer as terras sagradas do Alto Santo e lá permaneceu residindo (Rio Branco-Acre). Conta-se que, em visitas diárias ao túmulo do Mestre, ela entrava em longas conversações com ele, o Mestre Irineu. Quem passava pela estrada em frente ao mausoléu do Mestre nos finais de tarde a encontrava em animada conversação com o invisível. O singelo hino por ela recebido, hoje tem a graça de fechar o trabalho de Cura e Chamados do Padrinho Luiz Mendes, quando o Saturnino Mendes nos conta um pouco da vida desta simpática velhinha".

 
Raimundo Irineu Serra

Foto inédita do mestre Raimundo Irineu Serra (1892-1971), fundador do Centro de Iluminação Cristã Luz Universal - Alto Santo, em Rio Branco (AC), onde é mantida a tradição da doutrina do daime. [Publicado por Altino Machado]

 

 
Mestre Irineu e dona Raimunda, 1949Do que se tem notícia, o casamento com dona Raimunda seria a primeira união oficial do Mestre Irineu na Igreja Católica. Suas esposas anteriores, Emilia Rosa Amorim, com quem teve o filho Valcírio, e dona Francisca, não tiveram casamentos formais. Além disso, o Mestre nunca realizou casamentos na sede de serviços da doutrina. De acordo com os mais antigos, Mestre Irineu explicava que "tudo que fosse feito na sede de serviços era feito 'no astral', para a eternidade"; portanto, ao reconhecer que nem sempre os casamentos perduravam – e nisso não há obrigatoriamente erro, se cumprir a destinação –, não julgava acertado realizar a cerimônia no correr de um serviço espiritual. [Luiz Carlos Teixeira de Freitas].
 
Mestre e a Irmandade Reunida na Sede Feita de Madeira e Cavacos

Mestre Irineu e a comunidade reunida diante da Sede de serviços da doutrina do Santo Daime, feita de madeira e telhas de cavaco, na década de 1960, no Alto Santo. Como curiosidade, as fardas já apresentam as mudanças que o Mestre trouxe do Maranhão, como a coroa feminina e a palma usada inicialmente pelo Mestre e Zé das Neves.

 

Abaixo, seção dedicada às fotos do Centenário, encontro comemorativo dos cem anos de nascimento de Irineu Serra, realizado no Acre, em dezembro de 1992.

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Conta o Mestre-Conselheiro sobre a Festa do Centenário do Mestre Irineu, que ele idealizou e promoveu em Rio Branco: "Quem primeiro levantou o questionamento da necessidade de uma comemoração para essa data fui eu, um ano antes, em 1991. Comecei a divulgar e a convidar vários segmentos que comungam essa santa bebida, inclusive o Mapiá, a Barquinha e a União do Vegetal. Cada igreja trouxe seu Daime. Foi uma semana de festa - domingo a domingo - sendo que o aniversário dele (15/12) foi o dia central do evento. Para mim, foi um dos maiores acontecimentos dentro da nossa história" (www.luizmendes.org).

 

Centenário do Mestre IrineuLuiz Mendes do Nascimento discursa na Abertura Solene dos Festejos do Centenário de Raimundo Irineu Serra no Alto Santo [CICLU - dissidência acontecida depois do falecimento do Mestre Irineu], em dezembro de 1992. Da esquerda para a direita, colocados em frente do local de hasteamento das bandeiras estão: Walsírio Genésio da Silva (o Valsírio Serra, filho do Mestre Irineu), Padrinho Wilson Carneiro de Souza, Luiz Mendes do Nascimento (então presidente do Ciclu), Mestre Conselheiro Antônio Geraldo da Silva (primeiro sucessor de Daniel Pereira de Mattos na igreja deste na Vila Ivonette), Padrinho Alex Polari de Alverga e Padrinho Alfredo Gregório de Mello. (Foto e subtítulo generosamente enviados por Eduardo Bayer / Arca da União - comentário entre colchetes por Rodrigo conti Tavares).

 
Imandade DaimistaA irmandade daimista reunida em frente ao galpão especialmente construído para a realização dos festejos do Centenário do Mestre Irineu em dezembro de 1992 no Centro fundado pelo Padrinho Tetéu, aguardando a solenidade de execução do hino nacional e do hasteamento das bandeiras (foto gentilmente enviada por Eduardo Sampaio, subtítulos por Eduardo Bayer).
 
Hasteamento das bandeirasO filho primogênito do Mestre Irineu, Senhor Walsírio, prepara-se para hastear a bandeira da terra natal de seu pai, o Estado do Maranhão, tendo ao lado a Madrinha Rizelda Brito para hastear a bandeira brasileira e seu esposo o Padrinho Luiz Mendes para hastear a bandeira acreana (foto gentilmente enviada por Eduardo Sampaio, subtítulos por Eduardo Bayer).
 
Mulheres no salãoBailado do hinário do Mestre Irineu nos festejos do Centenário: lado a lado na primeira fila de bailado das mulheres vemos Graça Souza, Gilda Guilhon, Telma, Dodô, Sílvia Melo, Maria das Neves Melo, Júlia Gregório e Maria Tôca (foto gentilmente enviada por Eduardo Sampaio, subtítulos por Eduardo Bayer).
 
Homens no salãoBailado do hinário do Mestre Irineu nos festejos do Centenário: lado a lado na primeira fila de bailado dos homens vemos Veríssimo, Nonato Teixeira, Lúcio Mortimer, Alex Polari e José Mota, todos batendo o maracá na mão conforme a tradição do bailado (foto gentilmente enviada por Eduardo Sampaio, subtítulos por Eduardo Bayer).