O Senhor da Floresta

Direção Geral Mivan Gedeon | Roteiro – Mivan Gedeon | Direção de Fotografia – Paulo Socha
Edição de Imagem – Alexandre Almeida | Finalização – Produtora Máxima.
Direção de Atores – Urias de Oliveira | Produção – Ernildo Santos (São Vicente),
Sérgio Carvalho (Rio Branco), Mivan Gedeon e Paulo Socha (encenação)

Preparação de atores – Urias de Oliveira | Atores – Rei Zulu (Mestre Irineu)
e Irlane Rocha (N.S. da Conceição)
Trilha Sonora - Chico No.
Músicos – Chico No (percussão), Raphael Criscuolo (violão) e Carol Bovo (maracá)
Fotos – Eduardo Bayer, Gaudêncio Cunha, Luís Américo e autores não identificados.
Câmeras – Francisco Colombo (São Vicente Ferrér), Waldir Cardoso (Rio Branco),
Giovane Silva (Encenação), Rafael Pinheiro (estúdio), Mivan Gedeon e Alexandre Almeida (rituais).
Entrevistados – Vitória Serra (sobrinha de 2° grau do Mestre),
Maria de Lourdes Serra (sobrinha do Mestre), Eugênio Serra (irmão de Maria de Lourdes Serra),
Rita Serra (prima do Mestre e filha de Paulo Serra, tio e pai adotivo do Mestre),
José Barnabé Serra (irmã de Rita Serra) e Daniel Arcelino Serra (sobrinho do Mestre).

 
Antes que o visitante assista ao documentário - apresentado à todos no pé desta página - Mivan Gedeon nos explica, de próprio punho, o processo de "nascimento" deste maravilhoso projeto, fazendo assim com que apreciemos ainda mais seu premiado trabalho. A nossa esperança e a de que ele não pare por aqui, nos trazendo sempre mais deste primor que é a doutrina de Raimundo Irineu Serra, o nosso querido e amado Mestre Irineu. PARABÉNS Mivan!
 
O Mestre mandou me chamar
Mivan Gedeon
 

 

Mivan GedeonA primeira vez que ouvir falar de uma religião na qual se ingeria uma bebida, cujo princípio ativo altera a consciência, foi de um amigo de infância. Apesar da informação deste amigo ser superficial, ou seja, sem muitos detalhes, o que mais chamou minha atenção foi o fato de que essa tal religião foi fundada por um maranhense. Mesmo registrada na memória, esqueci por um bom tempo esta informação.

Em 1997, quando estava no ápice do Curso de Comunicação e empolgadíssimo com a profissão de jornalista, soube da existência desta religião, no bairro do São Conrado, que realizava suas sessões todos os dias 15 e 30 de cada mês. Ainda sem associar à informação do amigo de infância, subi a Estrada das Canoas, no Rio de Janeiro, com um amigo Judeu, hoje padrinho de meu filho, para conhecer a exótica doutrina.

Durante a cerimônia, observei em cima da mesa central e no teto da Igreja a foto de um Negro de chapéu, de olhar firme e confiante, segurando um cajado na mão direita. Perguntei para uns dos adeptos de quem se tratava.

- Mestre Irineu, fundador da doutrina da doutrina do Santo Daime, disse baixinho e evitando conversar.
- E de onde ele é? Insisti.
- Do Maranhão.

Heureca! Em 2000, ano em que me formei, minha vida estava do avesso. Estagiando há quase um ano em uma assessoria de comunicação que prestava serviços para os eventos culturais do BNDES, os lançamentos das revistas dos Cadernos do Terceiro Mundo, aos espetáculos da Cia de Dança, Corpo e Pulsar, entre outros, precisava urgente sair da condição de estagiário para ser um profissional de verdade, pois minha namorada e também recém-formada em jornalismo tinha acabado de dar a luz a meu primeiro filho.
Foi quando decidi retornar a São Luís com esposa e filho. No ano seguinte, ingressei como repórter de cultura no Jornal O Imparcial. Foi lá, que, para saber se havia alguma informação na cidade sobre parentes de Irineu ou de sua religião, publiquei minha primeira reportagem sobre o assunto. 

Descobri que os maranhenses não conheciam essa história, muito menos esse tal de Mestre Irineu. Em 2003, convidei o aspirante a videomaker, hoje uma das referências da nova geração de cineastas maranhenses e professor da Faculdade São Luís, Francisco Colombo, e o jornalista Ernildo Santos, atualmente secretário-adjunto da Prefeitura de São Luís, para documentar em vídeo a história deste ilustre maranhense, desconhecido em sua terra natal. 

Eugênio SerraPrimo de irineu, Eugênio Serra, irmão de Maria de Lourdes,
cantador de boi. Hoje não canta mais, pois virou evangélico.

Fomos até o município de São Vicente de Férrer (há 275 km de São Luís), cidade natal de Raimundo Irineu Serra, para recolher informações, capturar imagens e sonoras dos parentes dele. Depois de tomar muito cafezinho frio em copo de extrato de tomate, conseguimos recolher um rico material, diria até histórico.

Agora, era preciso ir ao Rio Branco, no Acre, lugar onde Irineu fundou a sua religião e viveu boa parte de sua vida. Fizemos um projeto para captar recursos. Sem muito sucesso, resolvi, em 2005, ir por conta própria até a cidade de Rio Branco ver essa história de perto.

Um ano antes, havia conhecido aqui em São Luís um senhor de 57 anos, sobrinho de Raimundo Irineu Serra, que estava em São Luís visitando a família. Daniel Arcelino Serra, além de ser um descendente direto de Irineu, foi adotado e criado por ele, quando este retornou, após 40 anos ao Maranhão.

Ficamos amigos e acabei me hospedando em sua casa, no Rio Branco, em maio de 2005.  Com uma voz mansa, sempre em tom baixo, que nos força a tentar escutá-lo, seu Daniel me recebeu de braços abertos e com uma comovente revelação. Em uma tarde, após o almoço, sentamos na sala e ficamos conversando. Disse-me que sempre sonhou em retornar ao Maranhão, mas foi uma frase de um artigo de um jornal que lhe chamou mais atenção.

Com brilhos nos olhos, serenamente levantou e se dirigiu até seu quarto. Voltou minutos depois com uns recortes de jornais nas mãos e disse:

Daniel Serra
- Aí diz que o “Maranhão é o único Estado do Brasil que não tem uma Igreja do Santo Daime”.

Apesar de pouca leitura, seu Daniel Serra possui uma sabedoria humana impressionante. E, como que querendo a confirmação daquela notícia, estendeu o recorte de jornal em minha direção e disse:

- Leia.

Ao pegar o recorte me deparei com meu nome assinado na matéria publicada em 2001, a primeira que escrevi sobre o assunto. Neste momento, os pelos dos meus braços saltaram. Um arrepio circulou pelos meus ombros até chegar a minha espinha dorsal. Não contive as lágrimas, chorei como uma criança... Notei que também havia nele um ar de surpresa ao saber quem era o autor daquela matéria. Quando retornei a São Luís, tratei de publicar, em julho de 2005, o artigo “Santo maranhense em terras acreanas”.

Para finalizar o vídeo, resolvi encenar um trecho clássico da biografia de Irineu, quando ele recebe a primeira revelação de Nossa Senhora da Conceição, após ingerir a bebida ayahuasca. Precisava então de um ator... E ele surgiu em um sábado pela manhã, quando assistia ao programa “Esporte 10” , da TV Mirante (Filial da Rede Globo no Maranhão). O lutador de luta livre, Rei Zulu, estava sendo entrevistado. Falava sobre sua última luta em um famoso festival mundial de luta livre realizado no Japão.

Rei ZuluApesar de toda brutalidade nos ringues, não foi difícil imaginá-lo com um chapéu e um cajado na mão. Estava ali o Mestre Irineu.  Para torná-lo ator de verdade, o diretor teatral Urias do Oliveira me deu uma mãozinha. Para minha surpresa, o vídeo, intitulado “O Senhor da Floresta”, venceu o Prêmio de Melhor Vídeo Maranhense Pelo Júri Técnico do 30° Festival Guarnicê de Cinema e Vídeo de 2007.

Seu Daniel Serra, em 2006, mudou-se definitivamente para o Maranhão. Chegou a tempo de receber, junto comigo, o troféu de melhor vídeo. Hoje mora com a família no bairro da Pirâmide, no município da Raposa, onde está construindo, com a minha ajuda e de outros irmãos da doutrina, a primeira Igreja do Santo Daime na terra natal de Mestre Irineu. Centro de Iluminação Cristã Estrela Brilhante Raimundo Irineu Serra - CICEBRIS foi o nome escolhido por ele. 

Quanto ao amigo de infância, hoje músico profissional, o encontrei outro dia na rua e recordei o assunto da doutrina do maranhense que havia me dito. Jura de pés juntos que nunca ouviu falar dessa história, portanto, jamais teria comentado comigo.  Fiquei três dias com uma dúvida... Será que foi sonho? Imaginação? Destino?


O documentário “O Senhor da Floresta”
disponível na internet

Para compor a imagem de Nossa Senhora da Conceição saindo da lua, usamos o recurso do cromaqui.O documentário “O Senhor da Floresta”, dirigido pelo jornalista Mivan Gedeon, que ganhou o troféu de Melhor Vídeo Maranhense Pelo Júri Técnico do 30° Festival Guarnicê de Cinema e Vídeo, em São Luís – MA, finalmente está disponível no site A Família Juramidam.

Para compor a imagem de Nossa Senhorada Conceição saindo da lua, usamos o recurso do cromaqui

O diretor teatral Urias de Oliveira e a atriz Irlane Rocha sendo observados pelo seu Daniel Serra e Rei Zulu, que interpreta o Mestre IrineuO diretor teatral Urias de Oliveira e a atriz Irlane Rocha sendo observados pelo seu Daniel Serra e Rei Zulu, que interpreta o Mestre Irineu.

“Escolhi estrear o vídeo “O Senhor da Floresta” no site A Familia Juramidam por se tratar de uma página que tem compromisso com a verdade.Rodrigo Conti Tavares, responsável pelo site, é um grande pesquisar e vai fundo nos fatos que envolvem a doutrina do Santo Daime”, disse Mivan.

Filmado em DVCAM, o vídeo tem 18 minutos de duração e, através de depoimentos de seus parentes, entre eles seu Daniel Serra, sobrinho do Mestre Irineu, que conviveu com ele durante 15 anos, e de seu primo, José Barnabé, que o acompanhou até São Luís quando este esteve em São Vicente Ferrér após 40 anos de sua partida para o Acre.

(Rita Serra), prima legítima do Mestre e filha de Paulo Serra, tio e pai adotivo do Mestre Irineu - Filmado por Francisco Colombo

Rita Serra, prima legítima do Mestre e filha de Paulo Serra, tio e pai adotivo do Mestre Irineu - Filmado por Francisco Colombo

As primeiras filmagens do vídeo foram realizadas em 2003, em São Vicente Férrer, cidade onde nasceu Irineu. Em 2005, o jornalista foi até o Rio Branco – AC, e só concluiu o vídeo 2007. “Este vídeo foi feito com uma idéia na cabeça e nenhuma câmera na mão. Tirei do próprio bolso para pagar profissionais, quando não contava com a ajuda de amigos”, lembra o documentarista.

O lutador de luta livre, Rei Zulu, foi convidado pelo jornalista para interpretar o personagem principal do vídeo documentário, pelo fato de sua aparência física ser semelhante ao do Mestre Irineu. Para a sua estréia como ator, o lutador teve a ajuda do renomado diretor teatral Urias de Oliveira.

“Quando o jornalista Mivan Gedeon foi a minha casa, pedir minha autorização para interpretar o Mestre Irineu, ele me mostrou uma foto dele. Topei logo, pois além de se tratar de uma pessoa importante, era um novo desafio para a minha carreira”
, revela o sorridente Zulu. A atriz Irlanne Rocha, aluna do diretor Urias de Oliveira, fez o papel da Nossa Senhora da Conceição.


Sinopse

O documentário conta a história do maranhense Raimundo Irineu Serra, fundador da doutrina do Santo Daime. Sua saga começa em São Vicente Férrer, interior do Maranhão, de onde saiu para se aventurar na Amazônia, durante o período do ciclo da borracha, por volta de 1912.

Em terras ainda em conflito com a Bolívia e com milhões de nordestinos chegando todos os anos para trabalhar nos seringais para alimentar o lucrativo mercado da borracha na época, Mestre Irineu, como é conhecido hoje, estava prestes se tornar parte da história do recente Estado do Acre.

Cena em que Mestre Irineu toma o daime (suco de tamarina) para em seguida receber a revelação de Nossa Senhora. Enquanto cuidava da direção, Paulo Socha preparava a luz
Cena em que Mestre Irineu toma o Daime (suco de tamarina), para em seguida receber a revelação de Nossa Senhora. Enquanto cuidava da direção, Paulo Socha preparava a luz.

Terra de índios e lendas, o maranhense conheceu uma bebida de origem inca chamada ayahuasca, que é a decocção de duas plantas nativas da floresta amazônica: o cipó Banisteriopsis Caapi e folha de um arbusto chamado cientificamente como Psychotria viridis. Com algumas sessões de beberagem com o chá ele teve uma revelação de Nossa Senhora da Conceição para fundar a religião da floresta, o Santo Daime.

Uma doutrina Crista que reúne em seu eixo doutrinário fundamentados no espiritismo e em diversas expressões sincretizadas como o xamanismo e a umbanda. Hoje, a religião que surgiu no meio da floresta Amazônica, conta com mais de 10 mil adeptos espalhados por vários continentes, como Europa, América do Norte, do Sul, Ásia, e até África.


GUARNICÊ
Festival de Cinema e Vídeo do Maranhão

O Guarnicê é um festival de cinema e vídeo que acontece há mais de três décadas no Maranhão mostrando um panorama da produção audiovisual brasileira.

Prêmio Guarnicêtroféu de Melhor Vídeo Maranhense Pelo Júri Técnico
do 30° Festival Guarnicê de Cinema e Vídeo, em São Luís – MA


Realizado pelo Departamento de Assuntos Culturais da Universidade Federal do Maranhão, o festival exibe filmes de curta, média e longa metragens nos formatos 8mm, 16mm e 35mm, em mostras informativas e competitivas. Também são organizados concursos de vídeo em várias categorias, de telecomerciais e telereportagens.

O festival acontece no mês de junho, durante a maior festa cultural do Estado. Neste período, grandes manifestações folclóricas, como o Bumba-Meu-Boi, atraem pessoas de todo o mundo à capital São Luís - Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade.

O termo "guarnicê" se refere a um momento de preparação. Momento em que os brincantes do Bumba-Meu-Boi se reúnem em torno da fogueira onde esquentam os seus tambores e pandeirões, cantando a toada que anuncia a chegada do Boi.

PremiaçãoMivan Gedeon dedicou o prêmio de Melhor Vídeo Maranhense Pelo Júri Técnico do Festival Guarnicê a seu Daniel Serra, que subiu no palco para recebe-lo, juntamento com seus netos Giovanna e Lucas Serra.

Guarnicê é a palavra chave da maior manifestação folclórica do Maranhão. É a expressão que representa simbolicamente o espírito cultural da terra e sintetiza o vigor de suas tradições.

O festival de cinema e vídeo foi criado em 1977 com o nome de Jornada Maranhense de Super 8, mudou o nome para Guarnice e vem a cada ano aumentando sua estrutura e abrangência.

No início reunia um grupo de cineastas locais que durante toda a década de setenta produziram filmes de curta-metragem exibidos em pequenas mostras realizadas em São Luís e no interior do Estado. As mostras foram crescendo ano após ano com o aparecimento espontâneo de novos realizadores e através de cursos e oficinas ministradas por grandes nomes do cinema nacional.

O Guarnicê recebe atualmente competidores de todo o Brasil.


Mivan Gedeon e Maria Serra (filha de Daniel Serra) exibindo o cheque gigante no valor de R$ 2.500,00. Na outra foto, Seu Daniel com o troféu, Mivan Gedeon, Rei Zulu e seu sobrinho que também foi assistente de fotografia e câmera.

 

 
O Senhor da Floresta
Documentário de Mivan Gedeon
 

 

 

Para entrar em contato com Mivan Gedeon, escreva para:
mivangedeon@hotmail.com