Os Hinos Novos
O "Cruzeirinho" de Raimundo Irineu Serra
 


 

Mestre IrineuComentário geral sobre os Hinos Novos

"Dentro desses últimos hinos dele, os Hinos Novos, que começa no hino 'Dou Viva a Deus Nas Alturas' e termina no hino 'Pisei na Terra Fria', é ele palestrando, é uma palestra dele. É ele fazendo uma explanação como se fosse uma preleção de final de trabalho. Um irmão uma vez falou assim:

- Padrinho, porque o senhor quando termina um trabalho, o senhor não faz umas palestras, assim como o crente faz, o pastor faz?
Ele disse assim:
- Nós aqui não trabalhamos com a Bíblia, nós aqui trabalhamos com a consciência. Eu acredito na Bíblia, mas não trabalho com a Bíblia na mão; a minha Bíblia é o Daime e os hinos.
Ele ainda falou:
- Esses Hinos Novos são o meu recado que eu tô deixando aí. Isso aí, é a minha palestra.

Você veja que os Hinos Novos são um resumo dos ensinamentos do Mestre."

Pedro Domingos da Silva - Do livro "Contos da Lua Branca", de Florestan Neto.

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Extrato de texto de Luiz Carlos Teixeira, sobre os Hinos Novos

Os chamados "hinos novos" são os catorze últimos hinos recebidos por mestre Irineu, nos dois ou três anos que antecederam sua passagem e um atrás do outro, compondo dentro do "O Cruzeiro Universal" um conjunto único de beleza e densidade conceitual entre todos os hinos da base doutrinária daimista. Por tal razão, e por ser o que se canta ao final dos serviços quinzenais de concentração (exceto o último hino, "Pisei na terra fria"), antes das preces de encerramento, certamente são os mais conhecidos hinos do mestre Irineu.

Dado seu caráter de "bloco", e por condensarem os aspectos centrais da doutrina daimista, desde os anos 80 passaram a ser chamados genericamente de "O Cruzeirinho", com o que tal titulação se espalhou pelo Brasil inteiro e apenas junto aos mais velhos daimistas, ainda vivos, usa–se chamá–los de "hinos novos". Todavia, não há problema algum em denominá–los "O Cruzeirinho", não fosse o fato de com isso se perder a dimensão de serem os hinos "novos".

Até então, bem nos finais dos anos 60, os serviços de concentração tinham término com as Nove Preces, uma Salve Rainha e o dispersar dos irmãos; ao receber o primeiro dos hinos novos, entretanto, mestre Irineu dispôs que "os hinos que receberia a seguir, já chamando de 'hinos novos', não sabe?, eram para ser cantados no encerramento das concentrações, com todo mundo em pé" (Percília Matos da Silva), concedendo–lhes de imediato, portanto, um status diferenciado, já que até então não se cantava hino algum nas concentrações, quer antes ou durante, quer depois.

– Como teve início o hábito de cantar os hinos novos no fim da concentração?
– Foi ele quem determinou.
– Já a partir do 'Dou viva a Deus nas alturas'?
– É, já foi com este, pois na concentração era para ficar contrito, concentrado. Ele não gostava de muito papo, muita conversa, esse negócio de estar dando discurso no serviço, essas coisas… Às vezes, uma ou duas vezes por ano, ele falava alguma coisa, mas não era de estar falando, explicando muito, ele queria que a pessoa se aprofundasse. Ele dizia: "se aprofunde, procure conhecer alguma coisa". Agora, quando a pessoa queria saber uma resposta de alguma coisa, ia lá com ele e ele explicava (Daniel Arcelino Serra).

Parece não haver dúvida de que os "hinos novos" foram recebidos de 1968 ou 1969 a 1970, sendo que o último veio alguns dias após o aniversário de mestre Irineu em 1970, por volta do dia 17 ou 18 de dezembro e quase sete meses antes de sua saída do mundo (Percília Matos da Silva).

– Se muito foi, foi aí uns três anos. Ele deve ter ficado uns cinco anos sem receber hinos e aí, quando vieram os novos, vieram de uma vez só.
– Quando o Mestre começou a receber os hinos novos, ele já começou a dar esse nome?
– Já, a partir do primeiro: 'vamos cantar o hino novo, gente'.
– E os outros, anteriores, ele nunca chamou de 'hino novo'?
– Não. Podia até chamar, mas não durava: vinha o título. Mas aí ele foi acostumando o pessoal: vamos cantar os hinos novos, isso, dois, três e assim por diante.
– Parece que ele já tinha na mente que eram um grupo.
– Exatamente, e há quem diga que 'hinos novos' é bem empregado porque eles não envelhecem mesmo. É um destaque, a gente percebe, né?, a boa nitidez. A gente vem cantando 'O Cruzeiro', quando chega no 'Sou filho do poder' vem um destaque, uma coisa que separa, assim, para juntar melhor, é muito bonito…
– Mas cantar os hinos novos num bloco separado, o mestre Irineu já ensinava assim?
– Sim, eles eram cantados sempre ao fim das concentrações e ao término de certos serviços. Tanto que, hoje, dificilmente se fecha um serviço sem que se cante os hinos novos; às vezes, pelo hinário ser grande, como o meu ou o do "Tetéu", a gente deixa de cantar, mas na maioria das vezes sempre se fecha com os hinos novos. Ele adotou assim, e nas concentrações com destaque.
– E nas concentrações, os hinos novos eram cantados em pé ou sentado?
– Eram cantados em pé, desde o primeiro até terminar (Luiz Mendes do Nascimento).

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A mesa de trabalhos do Mestre