Serviços de Hinário
Na Doutrina espiritualista de Raimundo Irineu Serra
 


 

Serviços de Bailados

Meu maior prazer é ver esse trabalho ficar firme, direitinho, como o Mestre quer, não como ele queria, como ele quer, pois eu não considero que o Mestre está ausente. Tudo que nós fizermos dentro desse trabalho tem que ser com ele, tem de pedir licença a ele, porque ele é o dono, ele é o comandante e o chefe geral da missão. Portanto tem que render obediência a ele. Eu não permito é cada um fazendo do seu modo. Foi uma das coisas que ele pediu. No dia 30 de junho de 1971, poucos dias antes do seu passamento, houve uma concentração em benefício dele. Quando terminou, ele disse assim:

- Hoje foi que eu recebi a minha cadeira de presidente; cheguei lá no astral, tinha um salão, a mesa posta, e a cadeira da cabeceira estava vazia, a minha mãe chegou e mandou que eu tomasse conta da cadeira.
- De hoje em diante, você é o chefe geral desta missão, disse ela. Queira ou não queira, no céu, na terra e no mar, o chefe é você.
Ora, isso depois de quantos e quantos anos de trabalho? E ele disse:
- Eu estou entregando esse trabalho ao Leôncio; ele não é o chefe, fica como representante desse trabalho. Agora uma coisa eu digo, ninguém queira ser chefe, se unam e vão trabalhar.
Foi nesse dia que ele aprendeu que quando se formar a mesa para abrir um trabalho, é para deixar a cadeira dele vazia, pois chamando, ele viria ensinar.
- Mas ninguém queira ser chefe, e não inventem moda dentro desse trabalho, ele falou.

Por isso eu me sinto mal quando eu chego num serviço que não está certo. Eu não me sinto bem de jeito nenhum. Se eu pudesse fazer uma circular a todos esses centros de Daime eu diria: nós não podemos mudar o ritual, nós temos de seguir os ensinos conforme eles mandam. Outro dia eu fui em um trabalho em um centro aqui perto de Rio Branco e não gostei. Já fui mesmo a paisana, porque eu não sabia como estava a organização lá, parece que eu estava adivinhando. As filas desarrumadas, sem um destacamento que fosse responsável pela organização das filas, homens com a camisa para fora da calça, com a mão no bolso, outros com o braço solto, jogando o braço para lá e para cá, e o que é pior: a extinção do maracá. O maracá é que ajuda a marcar o passo do baile.

No hinário, cada fila tem de ter o "pelotão", a pessoa responsável pela fila. Quando às vezes uma pessoa passa mal, por um momento, por causa das suas culpas, sei lá, tem que ter o fiscal para amparar, homem para homens, mulher para mulheres. O fardado só tem direito de sair por três hinos, no máximo. O ensaio é muito importante, pois é ali que a pessoa vai aprender, para quando chegar o trabalho oficial, todos estarem sabendo. Nosso trabalho é como um quartel, todos iguais. O principal na atitude do fardado é a obediência, cada um prestar o seu serviço com o máximo de obediência, cada um tem a sua posição, o seu posto de serviço, portanto, tem de assumir com muita dedicação e obediência. Tem muita coisa boa dentro desse hinário do Cruzeiro, é preciso é compreender, muitas pessoas cantam, mas a compreensão fica tão adversa... E não tem esse negócio de mistura de linha não, de atuação, nunca vi o Mestre se alterando em nada.

Texto editado do depoimento de Percília Matos da Silva

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Em geral, os serviços de hinário são antecedidos apenas por um terço inteiro. Outros hinários, mais curtos, por costume são antecedidos pelas *nove preces e uma "Ralve Rainha". O serviço de hinário e encerrado com 3 Pai Nosso / Ave Maria e uma "Salve Rainha", seguidas do fechamento.

*Este aspecto das chamadas "nove preces" é um dos mais saborosos no conjunto de ensinos finos que mestre irineu vivia oferecendo. Quando ele se referia às "nove preces", estava se referindo ao "Pai Nosso", à "Ave-Maria" e à "Santa Maria", orados três vezes juntos. e o que isso quer dizer? A prece que conhecemos como "ave-maria" tem uma nítida divisão de origem de conteúdo: ao passo que a primeira parte ("Ave Maria, cheia de graça, bendita sois Vós entre as mulheres, bendito é o fruto do Vosso ventre") se baseia integralmente no texto bíblico, quando o anjo saúda Maria e anuncia o Redentor, a segunda parte ("Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte, amém") é o resultado de elocuções que a igreja católica apôs no decorrer de um milênio. "Jesus" foi posto ao meio das duas partes por volta de 1300 d.c. Daí que Mestre Irineu lidava com a "Ave-Maria" como se fossem duas orações: a primeira reproduz a saudação do anjo a Maria, a segunda eleva nossos rogos a Ela. Portanto, Um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e uma Santa Maria compunham três preces; vezes três, temos as "nove preces"

Luiz Carlos Teixeira de Freitas

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"E ele [Mestre Irineu] gostava que os hinários bailados não tivessem interrupção para nada, exceto para um intervalo, menos ainda para discursos e preleções, com os hinos vindo um seguindo o outro, não sabe?, sem 'muita distância' entre eles".

Percília Matos da Silva - www.juramidam.jor.br

Confissão

Conforme orientação do Mestre fundador da Nossa Doutrina Sr. Raimundo Irineu Serra, o Hino de numero 17 do Hinario O Cruzerio "Meu Divino Pai do Céu" (confissão), não baila, canta-se 3 vezes, lento, sem instrumentos, sem maracás, cada fardado com uma vela acesa na mão. Depois de canta-lo 3x reza-se 3 Pais-Nossos, 3 Ave-Marias, 1 Salve rainha e Louvado Seja.

O hino da Confissão é cantado somente nos trabalhos de São João(23/06), Imaculada Conceição (07/12) e do dia dos Santos Reis (05/01).

Em alguns centros, dependendo do líder, e da necessidade, este hino pode ser cantado em outras datas, onde o hinário O Cruzeiro é cantado, como uma forma de suavizar problemas existentes na irmandade ou no astral. Fica a cargo do presidente da sessão a decisão de se cantar ou não este hino fora das datas oficiais.

Leia as entevistas com Raimundo Gonçalvez e dona Maria Martins Monteiro sobre o hino Meu Divino Pai do Céu (Confissão).

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Bendito da Sexta-Feira Santa
(retirado do livro Contos da Lua Branca, de Florestan Neto)

“A história do Bendito, eu ainda não tomava Daime. Eu tinha uns nove anos. Aí, lá por perto de casa, sempre no mês de maio, mês de Maria, tinha umas senhoras que rezavam o terço, faziam novena e eu sempre lá. Aí, depois que rezavam o terço, cantava aqueles benditos, e lá, elas cantavam este bendito da sexta-feira. Eu me lembro que essas senhoras eram até do Ceará. Aí, eu aprendi este bendito de memória. Tem até uma história, uma pessoa que já me disse que este bendito foi o Padre Cícero que recebeu, mas eu não tenho certeza. Aí, quando foi um dia, eu lembrei de cantar para o Padrinho Irineu. Aí, ele achou muito bonito, combinava mesmo com a passagem da sexta-feira santa. Quando eu cantei para ele, foi logo próximo da semana santa, e aí, ele mandou eu cantar no trabalho da semana santa. Eu cantei depois do terço, no intervalo e no final do trabalho. Aí, todo ano, ele pedia para cantar na Semana Santa”, conta dona Francisca Nascimento.

Dona Francisca Nascimento, irmã do senhor Luiz Mendes do Nascimento, foi quem apresentou o bendito ao Mestre Irineu. A seguir, a letra do bendito na íntegra. Canta-se repetindo as estrofes.

Dona Francisca canta o Bendito da Sexta-feira Santa

Na quarta-feira Jesus com seus discípulos
Foi a Oliveira, foi a Jerusalém
Foi a Páscoa, meu Jesus com seus discípulos
Que padeceu a favor de nosso bem

Na quinta-feira Jesus banhou os pés
Com grande gosto, prazer e contentamento
Depois da ceia, meu Jesus restitui-se
Com grande gosto meu Santíssimo Sacramento

Na sexta-feira Jesus subiu ao horto
Foi rezar três horas de horação
Encontrou Judas na frente de uma tropa
Já vinha ele de alferes capitão

Judas pelo lado direito
Com falsidade lhe beijou divinamente
Jesus disse: - Eu conheço a falsidade
Com este beijo que agora tu me destes

Neste dia Nossa Senhora chegou
Às oito horas Sexta Feira da Paixão
Encontrou-se com seu filhinho preso
Madalena, ó que dor no coração

Depois jesus Cristo arrastado
Cobriram ele em trono pequenino
Lhe botaram uma coroa na cabeça
Era tecida com 72 espinhos

Daí saíram com Jesus a rua estreita
Cartamente a rua de amargura
Encontrou-se com a Sempre Virgem Maria
Era sua mãe que chorava com ternura

Ó, minha Mãe, que por mim tanto chorava,
Sendo ela, Maria e Madalena
Quando eu cuido que vinha a meu socorro
Cada vez mais redobrava a minha pena

Chegou Longuinho com a lança e cravou
No peito esquerdo, em cima do coração
Quando o sangue lhe batia pelo rosto
Se ajoelhou, a meu Deus pediu perdão

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Entrega dos Trabalhos no dia de Reis

Ritual importante na liturgia daimista é a "entrega dos trabalhos" no Dia de Reis, encerramento e ao mesmo tempo abertura do ano litúrgico, como continuidade permanente do ciclo devocional, uma das raras vezes em que se canta o hino de nº 25 do Hinário O Cruzeiro Universal – Oferecimento - e ao término do bailado os batalhões se enfileiram em frente aos comandantes masculino e feminino, e cara a cara com estes, os soldados levantam a mão direita, com a palma da mão para a frente, e afirma:

- Na Santa Paz de Deus eu recebi os meus trabalhos de... (ano) e na Santa Paz de Deus eu entrego os meus trabalhos com (ou sem) alteração, com poucas (ou muitas; ou sem) preces rezadas.

A Comandante entrega os trabalhos do batalhão feminino ao Comandante Geral do Salão (que geralmente é o comandante masculino, que acumula as duas funções), o Comandante Geral entrega ao Vice-Presidente e o Vice ao Presidente do Centro Livre - e este deve entregar o trabalho de toda a irmandade ao Mestre Raimundo Irineu Serra, no plano invisível.

Juarez Duarte Bomfim

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As Diversões do Mestre Irineu

São parte integrante dos trabalhos oficiais onde se canta O Cruzeiro. Cantar as diversões é um dever de todos os fardados nestas datas. Não cantar as diversões implica em apresentar um trabalho incompleto. Devemos fazer um esforço para manter viva esta instrução do Mestre Irineu.

Florestan J. Maia Neto - do livro Contos da Lua Branca

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A mesa de trabalhos do Mestre