Germano
Guilherme dos Santos nasceu no Piauí, em 28 de maio de 1902. Mudou-se
com sua família para Rio Branco, Acre, onde ele viveu trabalhando
nas colônias. Ao servir a Guarda Territorial, Germano conheceu
Raimundo Irineu Serra, assim como também conheceu o Daime
através desse amigo. Não só foi um dos primeiros
seguidores do Mestre Irineu, acompanhando-o desde 1928, como foi
o primeiro a cantar um hino na doutrina, mesmo que o primeiro
hino tenha sido recebido pelo Mestre, duas décadas antes,
nas florestas do Peru (1912). Por esse motivo, é tradição
no Alto Santo cantar o seu hinário antes do “Cruzeiro”,
hinário do Mestre.
Germano
Guilherme era um homem de pele negra e dentes alvos, tendo grande
carinho pelo Mestre. Eles se chamavam mutuamente de “maninho”.
Nos
pedidos com o Daime, pela cura de uma ferida na perna, viu que
em uma encarnação anterior havia sido um cruel senhor
de escravos, daí não haver cura para a mesma ferida,
pois era “sentença”. Por causa disso ele não
podia comer certos alimentos, mas quando estava na casa do “maninho” Germano comia de tudo e não sentia nada.
Em
1943 ele desposou uma filha de Antônio Gomes e Dona Maria
de Nazaré, Cecília, vinte e seis anos mais jovem
que ele e cujo filho de adolescência (que havia gerado com
José das Neves) fôra adotado pelo Mestre e sua esposa,
Dona Raimunda. A este filho foi dado o mesmo nome do tio materno
que o Mestre deixara no Maranhão, Paulo d´Assunção
Serra. Nos
anos seguintes se mudaram com o Mestre para as terras que este
ganhou do governo territorial, primeiramente chamadas de “Alto
da Santa Cruz”, e depois de “Alto Santo”, onde
passaram a viver em uma comunidade como uma grande família.
Germano
Guilherme faleceu em 1964, deixando seu caderno de hinário,
o “Sois Baliza”, como um dos alicerces da Doutrina que
ajudou a fundar junto a seu amado Mestre. Incubiu de cuidar de seu hinário o senhor Chico Granjeiro, o qual, antes de falecer, trasferiu essa incumbência ao Sr. Luís Mendes.
Texto
editado do site www.hinarios.blogspot.com
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Seu Germano Guilherme foi uma das primeiras pessoas que ajudou meu tio na doutrina. Foi a segunda pessoa a receber hinos. Trabalhei muito com ele, inclusive na casa dele. Vivia bem, era uma pessoa muito caprichosa, casado com dona Cecília Gomes, irmã de dona Peregrina (viúva do Mestre Irineu). Tinha uma personalidade muito forte, era bastante respeitado pelos irmãos, pois gostava das coisas muito certinhas.
Era muito rigoroso com as pessoas que trabalhavam com ele, tinha que ser do jeito que ele queria. Até para cantar seu hinário tinha que ter respeito, não gostava quando as pessoas cantavam fora dos trabalhos.
O hinário dele era cantado no dia de Nossa Senhora da Conceição, porque ele era devoto de Nossa Senhora da Conceição. Depois do hinário dele cantava os Hinos Novos (Cruzeiro). Foi o Mestre que colocou na pauta o hinário dele neste dia. Fisicamente ele era mediano, com 1,65, nem muito forte nem muito magro.
Vivia de cadeira de roda [no fim da vida], até seu hinário ele cantava sentado, devido à enfermidade na perna, que ele dizia que era sentença de outras encarnações. Dizia que sofria com regeneração, pois estava pagando uma conta de outra vida.
A relação dele com o Mestre era muito boa, estavam sempre juntos. E o Mestre tinha todo o respeito por ele.
Daniel Arcelino Serra (Sobrinho do Mestre)
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Outrossim, um “causo” do Germano, que quer queiramos ou não está sempre presente quando se fala da Maria [Damião], devido à proximidade que ela tinha com Dª Cecília [esposa de Germano], é que conta-se que estava em casa quando um jovem passou e pediu a ele duas laranjas de uma laranjeira carregada, o que ele prontamente consentiu. Só que o jovem tirou várias laranjas e as colocou em um saco. Quando se retirava agradecendo, Germano o chamou de volta e disse: "Você me pediu duas, portanto derrame o saco e tire as duas que me pediu.” Assim foi feito e o rapaz foi saindo meio encabulado. Aí ele o chamou novamente e o rapaz, já com medo, ficou parado. Então, Germano falou: “Agora junte o resto e leve que eu estou lhe dando, e aprenda a pedir para poder receber.” Sendo que desta e outras lhe sobrou o apelido de “buraco”.
Teófilo Maia
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