Francisco Fernando Filho (Tetéu)
Numa dessas ocasiões um irmão agonizou quatro dias e quatro noites, até seu passamento, e Tetéu não lhe deixou nem por um minuto. Consequentemente foram quatro dias e quatro noites que Tetéu passou acordado. Portanto, presume-se que a origem do apelido Tetéu, que já trouxe da infância, deu-se por este fato de dormir pouco, com base num pássaro tipicamente nordestino que não dorme, só cochila, e chama-se tetéu.



Palavras do Mestre Conselheiro Luiz Mendes sobre o Tetéu
(Email enviado pela irmã Débora Carvalho Pereira Gabrich - CICLUMIG)

Conheci Francisco Fernando Filho, vulgo Tetéu; por alguns anos, desfrutei de sua convivência, sempre de lado a lado, e nos demos muito bem, tanto no sentido materializado quanto espiritualizado.

Nasceu no dia de Santa Luzia (13-12) de 1917. Era um homem carismático, onde quer que se encontrava transmitia paz, alegria e otimismo, ria e gargalhava e fazia os outros rirem e gargalharem contando suas histórias lá do nordeste, da sua infância e juventude como cearense de São Luís de Ceira (“caboclo do pé de serra”).

Chegou ao Acre pelos idos de 1960, já familiarizado com mulher e alguns filhos, instalou-se numa colônia e sobrevivia da agricultura, bem vizinho ao Mestre Raimundo Irineu Serra, razão pela qual em 63 tomou Daime pela primeira vez das mãos do próprio Mestre, gostou e agarrou-se com unhas e dentes, ingressando definitivamente na Doutrina do Santo Daime. Justamente nessa época deu-se o nosso encontro dentro da sessão, pois eu também ingressava no mesmo batalhão, o que nos facilitou para sermos bons amigos e bons irmãos.

Tetéu era um homem sério com ternura, corajoso, decidido, gostava de tomar Daime e não tinha medo de tomar, tudo que era preciso ele buscava no Daime, ao ponto de em determinadas ocasiões se encontrar sozinho, como ele mesmo cita em um dos seus hinos, “estou convidando sorrindo e comigo ninguém quer ir”.

Tetéu, pelo jeito de ser, era pessoa humanitária, gostava de fazer caridade. Nos momentos mais difíceis que se viviam na época, podíamos contar, na certa, com sua presença e apoio, pois ele fazia questão de estar ali de um lado. Se ele era resistente espiritualmente, também o era fisicamente, dormia pouco, bastava que um irmão adoecesse que ele sempre estava pronto, oferecendo sua vigília que era muito boa, não abandonava o doente hora nenhuma. Numa dessas ocasiões um irmão agonizou quatro dias e quatro noites até seu passamento e Tetéu não lhe deixou nem por um minuto, consequentemente foram quatro dias e quatro noites que Tetéu passou acordado. Portanto, presume-se que a origem do apelido Tetéu, que já trouxe da infância, deu-se por este fato de dormir pouco, com base num pássaro tipicamente nordestino que não dorme, só cochila, e chama-se tetéu.

Foi um dos homens de confiança do Padrinho Irineu, destacou-se na Doutrina com poderes hierárquicos, de fiscal passou ao comando geral do batalhão masculino, sendo logo depois nomeado Assessor direto da presidência do saudoso irmão Leôncio Gomes da Silva. Aliás, a amizade entre ambos era muito bonita - o que um dizia e fazia o outro assinava embaixo, e a ponto do presidente, que nunca recebeu um hino, afirmar que o hinário do Tetéu era o seu hinário também.

Após a passagem do Sr. Leôncio para o plano espiritual, deu-se um quadro simultâneo onde Tetéu, que já era comandante, foi também aclamado presidente em substituição àquele. No dia 21 de junho de 1985 desencarnou deixando muitas saudades e recordações e um belíssimo hinário constituído de 132 hinos (e mais sete hinos que ele ofertou de presente). Orgulha-me ter podido conhecê-lo, suas virtudes e firmeza são um exemplo para todos os que seguem neste caminho da Luz e do Amor.

Luiz Mendes do Nascimento

 
Leia também "O Padrinho Tetéu" Por Thiago Martins e Silva Hoff, da saudosa revista virtual Arca da união.