(Texto [editado] e imagem do site www.hinarios.blogspot.com)
 
Oração
 
Oração "campal" em frente da igreja da Cinco Mil no final dos anos 70,
quando uma reportagem da Revista Manchete registrou pela primeira vez,
e em cores, a existência da Doutrina do Santo Daime no Acre.
 

Sebastião Mota de Melo, fundador do Cefluris, assim como o Mestre, também filiou-se ao Círculo Esotérico enquanto membro do centro do Alto Santo, e mesmo após a desvinculação manteve seu diploma emoldurado numa parede de sua casa. Um hino do Mestre Irineu, que dizia: “Seis horas da tarde / o sol vai se por / eu devo cantar / a meu Pai Salvador”, o incentivou a ter na sua residência a prática de todos os dias na hora do entardecer (que ele marcava não pelo relógio mas pelo pio da nambu, ave amazônica que canta sempre a essa hora) rezar a Chave de Harmonia e cantar alguns hinos.

Com a criação do Cefluris em 1974 e a construção da igreja, o Padrinho Sebastião começou a formar um caderno de hinos seus para essa oração diária das seis horas da tarde, concluído por volta de 1978 com doze hinos. Até 1990, quando veio a falecer, a oração encerrava-se com o hino “Eu não sou Deus”, por esse motivo cantado em pé. Com a entrada de seu filho Alfredo no comando geral, acrescentou-se um hino deste, e se estabeleceu que o segundo hino da oração também seria cantado em pé, como uma invocação solene. Padrinho Waldete, no Mapiá, tem reforçado sempre que a Oração não se canta no ritmo de baile, mas sim num ritmo mais marcado, com as palavras mais bem pronunciadas. Só eventualmente, como num dia de domingo, junto ao ensaio de outros hinos, é que a Oração é bailada, mas nesse caso excetua-se o segundo hino, que é cantado em posição de guarda.

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Nota: é importante notar que devido ao Padrinho Sebastião sempre realizar, todos os dias, a Oração das seis horas da tarde, em todos os lugares onde ele morou, desde a época da Cinco Mil, juntando ao fato de que as concentrações do dia 15 e 30 sempre começavam no mesmo horário, naturalmente a Oração foi se “fundindo” na liturgia original dos trabalhos deixados por Irineu Serra. Portanto, em dia de concentração, se tomava Daime logo antes da oração, e depois dela se procedia à ordem de concentração.

Nos centros das cidades, sabemos que dificilmente orações acontecem diariamente e também que dificilmente concentrações sejam abertas às seis da tarde. Então se deixou explícito, nos centros ligados de alguma forma ao Cefluris, que em dias de concentração se canta a Oração primeiro, deixando a impressão, aos mais novos, que uma faz parte da outra, quando na verdade são dois rituais distintos, realizados em sequência.