Padrinho Jonas Frederico
 

 

Na verdade, o Padrinho Jonas fez a sua iniciação no Alto Santo. Ele tinha um irmão de nome Dirceu, que conheceu o Daime antes dele. Os dois eram sócios e vendiam mercadorias, as mais diversas possíveis, pelas cidades pequenas no interior do Brasil. Eles saíam de caminhão rodando as cidades e entregando mercadorias, no final da década de 60 e começo de 70.

O Padrinho Jonas era de Anápolis-GO. Foi durante uma dessas viagens que seu irmão conheceu o Daime no Alto Santo. Logo depois, os dois voltariam lá para que o Padrinho conhecesse o Daime. Isso foi 6 meses depois da passagem do Mestre. Eles viajavam 3mil kilômetros para tomar Daime. Existe até uma história muito interessante que aconteceu com o Dirceu numa dessas idas ao Alto Santo, que foi a seguinte: depois da passagem do Mestre, tanto naquela época como agora, sempre foi costume deixar a cadeira do Mestre vazia na mesa. Num certo trabalho, o Dirceu estava muito cansado e, quando viu aquela cadeira vazia na mesa, não teve dúvidas. Sentou ali e lá ficou até quase o final do trabalho. Ninguém falou nada, mas quando o trabalho estava para ser encerrado, o dirigente (provavelmente era o Leôncio, que naquela época era quem tinha recebido esta incumbência do Mestre), falou que aquela cadeira que ficava vazia ali na mesa era a antiga cadeira que o Mestre utilizava quando era vivo e era um costume da casa deixá-la vazia em sinal de respeito e reverência àquele que tinha sido o guia de todos por tantos anos. Assim, quando ele viu um sujeito sentado lá, aquilo o havia incomodado muito. Ele pensou em falar para que aquele senhor desocupasse a cadeira, mas quando ia tomar tal atitude, o Mestre veio até ele na miração e lhe disse: “A cadeira não é minha? Então, se é minha, só eu é que posso dizer quem pode ou não sentar ali. E ele pode!”. Com este relato e nesta demonstração de humildade, o dirigente então encerrou o trabalho daquela noite.

O Dirceu tomou Daime umas 2 ou 3 vezes só, e fez a passagem em seguida. Mas o Padrinho Jonas continuou freqüentando o Alto Santo e ficou muito amigo do Padrinho Sebastião. No ano de 1972, o Padrinho Sebastião lhe forneceu alguns poucos litros de Daime para que o Padrinho Jonas pudesse levar para a sua casa, em Anápolis. Ele não tinha nenhuma pretenção de fazer uma Igreja em Goiás. Apenas queria compartilhar aquela bebida tão fantástica que conhecera com sua família. Então, o primeiro trabalho que ele fez foi na sua casa, junto com sua família, quando apresentou o Daime para seus filhos, ainda pequenos. A partir daí, em suas viagens para o Acre, o Padrinho Sebastião lhe fornecia alguns litros para que ele pudesse continuar seus trabalhos, sempre em casa. Isso aconteceu durante toda a década de 70 e 80, quando se mudou para São Paulo.

No final da década de 80, quando ele ainda fazia seus trabalhos em casa, percebeu que eram tantas as pessoas que estavam interessadas em conhecer o Daime, que não havia mais espaço suficiente. Era necessário um espaço maior para poder receber as pessoas. Até este momento, ele não era nem fardado ainda.

Assim, começou o Núcleo Flor de Luz. Neste tempo, já não havia mais condições de fazer os trabalhos sem ser fardado. Então, o Padrinho Jonas foi até o Mapiá com seus filhos para que pudessem ser fardados pelo Padrinho Alfredo.

Dando continuidade, no final de 1991, este grupo alugou um salão no bairro do Morumbi, em São Paulo, e iniciou uma nova etapa. O primeiro fardamento que lá aconteceu foi em janeiro de 1992, quando o Padrinho Alfredo fez a sua primeira viagem a São Paulo, depois da passagem do Padrinho Sebastião, para visitar os 2 pontos do Daime que aqui existiam, o Flor de Luz e o Flor das Águas. Destes 2 pontos originaram todas as Igrejas do estado e algumas de fora do estado também.

Depoimento de Caio Bastos, enviado por e-mail

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